O que é a vida? É um caco de vidro que se desintegra na terra? O fogo que arde em nossas entranhas? Uma partícula de vapor que some no planeta? Ou seria um ciclo de infinitas transformações? Poderia dizer que a vida é um vaso de argila, moldada ao nosso gosto pessoal: no início erramos muito, criamos vasos tortos e cheios de defeitos mas, com um pouco de prática, acabamos por achar o mais perfeito dos moldes. Um dia ele poderá se quebrar; talvez seus minúsculos pedaços possam ser colados, talvez ele se destrua por completo e sem chance de concerto... É frágil e belo.
A vida é um ciclo vicioso que se repete cada vez que decidimos recomeçar. É uma dádiva; uma benção; o maior de nossos pertences, o mais valioso deles. É o sustento que nutre nossas almas; o objetivo que preenche a nossa lacuna interior; a verdade que alimenta as nossas desconfianças; a humildade que destrói o nosso ego; a faísca de amor que anula o nosso ódio.
Para alguns ela parece curta e instável, para outros é longa e proveitosa. Muitos acreditam que ela acaba a partir do momento em que nos desligamos desse plano astral, outros costumam acreditar em vida após a “morte”. A vida parece um mistério indecifrável, o enigma que dá sentido à existência, o quebra-cabeças em que sempre falta uma única peça para ser completado, a energia que impulsiona os nossos sentimentos.
Vida é uma palavra que dá origem aos significados, que faz surgir todas as outras palavras, que faz com que acreditemos em uma razão real para existir. Vida é algo que não podemos tocar, não podemos ver, não podemos cheirar, mas que temos certeza absoluta que existe.
O que é então a vida? É um conjunto de fatos que complementam o mundo? É o pulsar dos corações e o correr do sangue nas veias? É o simples fato de estar materialmente presente neste mundo? É o “sabor” do vento no rosto, o gosto da sabedoria e a incerteza de ser quem realmente é? É um conceito que criamos para não nos sentirmos tolos e impotentes diante dos mistérios naturais que não podemos comprovar ou compreender? Um conceito criado para não nos sentirmos um nada diante da sabedoria divina?
Se a morte está ligada à vida, elas são apenas duas palavras criadas para dar significado a uma mesma coisa? Uma é extensão da outra? Seria a morte uma continuação da vida? Seriam as duas apenas ilusões?
Em um mundo em que achamos que a morte é a única certeza da vida, eu digo que a vida é a única certeza que temos em nossa existência.
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